domingo, 10 de julho de 2016

Histórias do Paraná - Lousa de ardósia

Histórias do Paraná - Lousa de ardósia

Lousa de ardósia
Lourdes Lacerda Suplicy

Lapa.
Colégio São José. 1929
Com a irmã Rita, professora das primeiras letras, meus colegas e eu aprendemos a ler em apenas três meses. A ler e a temer o inferno.
Para dar mais ênfase às suas histórias sobre o diabo, a freira ingênua fazia uma pantomima aterradora: arregalava os olhos, erguia a tampa da sua mesa e, enquanto deixava cair, passava uma rasteira na cadeira e corria para a porta com estardalhaço.
Assim, a imagem do diabo perturbou o nosso sono até a idade adulta.
Mas a alegria voltava quando atravessávamos a praça da Matriz com os nossos uniformes de sarja azul-marinho, saia pregueada, blusa com cabeção e reluzentes sapatos de verniz preto.
Desfilávamos sempre em duplas: nas paradas de 7 de setembro, a caminho da Igreja, para entrar em aula.
Como católica apostólica lapeana, naquela velha Igreja recebi os ensinamentos que me amparam até hoje.
Naquele tempo, o cheiro de incenso e a sineta na hora da elevação despertavam mais temor do que fé; mas a fé era simples, provinciana e sem complicações.
Assim como escrevíamos na lousa de ardósia, emoldurada de madeira com lápis especial e apagávamos tudo com o trapo que pendia do barbante, do mesmo modo muitas lembranças que pareciam marcadas para sempre desapareceram na lousa do tempo.
"Está no mundo da lua, menina?"
Curitiba.
Colégio Cajuru.
1938.
Em instantes de devaneio, a menina magra e esverdeada que eu era aos onze anos se sobrepõe à adulta.
Por vezes prevalece uma outra imagem, a da adolescente rósea e gordinha que voltou para casa após um ano de internato do Colégio Cajuru.
Matriculada sob o número 177, todo o meu enxoval comprado na Maison Blanche levou esta marca.
Entrei no Colégio acompanhada por meu pai e minha mãe. Já no parlatório pensei em fugir, quando uma freira de hábito preto (que o Concilio Vaticano II levou para sempre) se acercou de nós.
Quando um sino estridente tocou fui deixada ali e, a partir daquele momento, o sino passou a regulamentar a minha vida ao lado das colegas: hora de levantar, de rezar, de estudar, de comer, de brincar. O sino também chamava as freiras, identificadas por um código de batidas.
Como sino francês é feminino (la cloche), o sino do Cajuru foi batizado com nome de mulher: Geraldine, Josephine, Albertine...
A diretora, irmã Júlia, pequena, enérgica, de olhar penetrante, repetia: "Mes enfants, la politesse est la règle de bien vivre et bien faire toutes les choses".
Assistíamos missa diariamente e só saíamos uma vez por mês, nós as internas, quando nos comportávamos bem.
Nos três grandes dormitórios éramos agrupadas por idade: pequenas, médias e grandes.
Oitenta camas em cada dormitório.
Deitada, olhando o teto, as luzes que por vezes iluminavam a escuridão eram, para mim, reflexos de um trem partindo e me levando para a Lapa. A gente sempre tem um trem nas lembranças, um trem que chega ou que vai, que apita longe.
Os trens da infância.
Um dia, não resisti e fugi. A pé. Com algumas colegas percorremos quilometros.
Logo fomos "devolvidas" para o Colégio e, como castigo, ficamos dois meses sem sair.
Em uma carta que escrevi para casa, filosofei: ‘‘Possivelmente nossos pensamentos se encontraram pelos caminhos da saudade.
Veio a carta de papai e lá foi a minha". Hoje meu pensamento também se encontra pelos caminhos da saudade, lembro pequenos detalhes: a sala de aula, a carteira e a voz da irmã Eucaristia: "Lourdes, attention!"
Vó Ude! Vó Ude!
A voz de um neto, urgente e imperiosa, me chama ao ano de 1993.
Lourdes L Suplicy, avó e dona de casa

sábado, 9 de julho de 2016

Histórias do Paraná - Tragédia humana

Histórias do Paraná - Tragédia humana

Tragédia humana
Túlio Vargas

Impossibilitados de invadir São Paulo, rumo ao Rio de Janeiro, para depor Floriano Peixoto, durante a Revolução Federalista, os maragatos comandados por Gumercindo Saraiva viram-se obrigados a recuar, em face dos insucessos da revolta naval e de divergência internas.
Retiraram as tropas, em três colunas, para o Rio Grande do Sul, em busca de refúgio na vizinha República do Uruguai.
Cessada a ocupação do Paraná, em 1894, as forças legalistas, vindas de Itararé, retomaram o poder, reassumindo o governo do Estado o Dr. Vicente Machado.
Porém, mandavam os militares.
Instalou-se um regime de terror.
As prisões regorgitavam de simpatizantes da causa de federalistas.
Fuzilamentos sucediam-se na calada da noite.
Os que não fugiram, viveram o suplício da vindita. O martírio de maior repercussão deu-se no quilômetro 65 da Serra do Mar, quando o Barão do Serro Azul e seus companheiros Balbino Carneiro de Mendonça; Presciliano S. Correia, José Lourenço Schleder, José Joaquim Ferreira de Moura e Lourenço Rodrigo de Mattos Guedes foram executados friamente, na noite de 20 de maio. O medo de represália era tanto que os cadáveres permaneceram insepultos por alguns dias.
Serro azul, o mais importante deles, fora obrigado a prestar colaboração aos federalistas para evitar o saque da cidade de Curitiba.
Outros, como Presciliano, Mattos Guedes e Balbino oferecem apoio ostensivo a revolução.
Todavia, Schleder e José Joaquim eram modestos funcionários da Delegacia Fiscal.
Simples burocratas.
Quando a cidade foi ocupada e instalou-se o governo revolucionário, receberam ordens do governador nomeado, Menezes Dória, de manter a repartição aberta e cumprir ordens. Não lhes deu alternativa: Obedecer ou morrer.
Limitaram-se a praticar os atos de praxe, preservar o arquivo do tesouro e proceder os pagamentos exigidos. Não escaparam, por isso, à sanha dos vencedores.
José Joaquim, por certo, pagou pelo entusiasmo das filhas Albertina ejúüa que se incorporaram às tropas invasoras na condição de enfermeiras.
Como exímias voluntárias, cuidavam dos feridos e consolavam os aflitos, ganhando com esse gesto a gratidão dos revolucionários.
Jovens e idealistas, entendiam estar prestando serviços assinalados à causa da liberdade contra a opressão do governo florianista, cuja legitimidade os partidos da oposição contestavam.
A execução de José Joaquim foi o mais cruel possível.
Na caçada aos maragatos a lei convertera-se em arbítrio dos chefes, as autoridades em odientos sátrapas, as garantias individuais em meras ficções, a ordem em desenfreado abuso. O prisioneiro, em plena crise de diabetes, ardia em febre quando foi recolhido do quartel do 17° Batalhão de Infantaria, para a marcha forçada até a estação de estrada de ferro.
Mal podia levantar-se.
Seus companheiros, embora desconfiados da alegada viagem até Paranaguá àquelas horas mortas, ainda assim pareciam confiantes.
Ao descerem a rua São Francisco todos se detêm.
José Joaquim não suporta o trajeto e desmaia.
Levam-no de volta ao quartel, mas o comandante da escolta ainda recomenda aos gritos: "Conduzam-no de carro à estação, sem falta!"
A íntima convicção de inocência infundia-lhes coragem.
Poderiam enfrentar, sem receio, os juizes e leis da República.
Schelder apalpava nos bolsos copiosa documentação.
Nem José Joaquim, moribundo, nem o Barão, nem
Presciüano, enfim, nenhum deles, em sã consciência, poderia esperar o pior.
Estavam enganados.
Nenhum sobreviveu à carnificina do km 65.
As filhas de José Joaquim, atônitas e sofridas passaram a visitar, periodicamente, o local da tragédia,
em ato de contribuição filial.
Locomoviam-se num vagonete alugado da Estrada de Ferro.
Distribuíam flores e lágrimas.
Numa dessas idas e vindas, como se apenas um drama não bastasse, Albertina morreu tragicamente.
Seus cabelos soltos e longos prenderam-se nas rodas do vagonete.
Foi horrível. A outra irmã, Júlia, faleceu com avançada idade.

Túlio Vargas, ex-deputado e membro da Academia Paranaense de Letras

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Histórias do Paraná - A.B.C. dos "Sem-Terra" (II)

Histórias do Paraná - A.B.C. dos "Sem-Terra" (II)

A.B.C. dos "Sem-Terra" (II)
Samuel Guimarães da Costa

Reproduzimos abaixo o A.B.C. de autoria de Julio Alves Machado, recolhido em 1940 no Norte do Paraná por Samuel Guimarães da Costa e publicado pela primeira vez na revista "O Livro", de Curitiba, em 1947:

A
A.B.C. do povo pobre que reside no sertão procurando um meio nobre de exclamar sua razão
B
Brademos humildemente ao governo Brasileiro
- um pobre povo obediente seus patrícios verdadeiros
C
Compadecei-vos de nós, nosso ilustre Presidente, por que recorrer a vós um pobre povo obediente?
D
Diremos todos contentes sendo de vós protegidos Viva o nosso Presidente Viva os Estados Unidos!
E
Este é o povo do sertão que fala neste papel e que pede proteção neste momento cruel!
F
Fomos nós os que fizemos nesta mata um picadão e do Governo requeremos da Bufadeira ao Rio Bom
G
Garantindo a nós o mapa uma zona nacional este assunto não escapa de uma razão especial
H
Houve vários requerimentos dos primeiros habitante
que prova ter bom intento o mateiro vigilante
I
Intimado pelo juiz a tornar a requerer todos fazem o que ele diz sem palavras lhe dizer
J
Jamais nós vamos pensar que pertença a uma fazenda, que um juiz pode enganar quanto mais fazer contenda
K
Ker o povo ver o certo seu estado reclamar todos assinam a descoberto sem a ninguém ameaçar
L
Lá assim o temos feito humilde e também ordeiro cumprindo o nosso dever de bom filho brasileiro
M
Muitos estão sem destino sem saber para onde vão sem ofícios e sem ensino e sem apoio do sertão
N
Nossa pátria é brasileira ninguém nos pode negar, portando, em nossa bandeira devemos ter um lugar
O
Ó Pátria! O Brasil querido! não siga errado teu trilho sendo o pobre desvalido desprezas teu próprio filho!
P
Pobreza não é defeito nem todos podem ser nobres e o calo é o mais lindo enfeito que existe na mão do podre
Q
Quem jamais viu o progresso em qualquer modo de empresa que possa ter bom sucesso sem os braços da pobreza?
R
Rico não vem no sertão se o sertão ficar tapera há de ser casa de leão ou de qualquer outra fera
S
Saudosa Pátria querida! não me negues teu torrão que por ti dou minha vida e o meu próprio coração
T
Todos nós temos esperança que havemos de ser valido da mais saudosa lembrança de um homem de bom sentido
u
Um homem querendo ser de Deus e todos valido fazei por favorecer que há de ser favorecido
V
Vitorioso será o filho que for humilde e obediente e seguir certo no trilho que traçar seu Presidente
X
Xorando o pobre mateiro humilde vem reclamar ao seu chefe brasileiro
- quem lhe pode consolar
Z
Zombar da lei não queremos nem tão pouco repelir conceda-nos onde moremos com prazo de restituir

Samuel Guimarães da Costa, jornalista e escritor

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Histórias do Paraná - A. B. C. dos "Sem Terra"' (I)

Histórias do Paraná - A. B. C. dos "Sem Terra"' (I)

A. B. C. dos "Sem Terra"' (I)
Samuel Guimarães da Costa
Alguém hoje pode acreditar que, há mais de 50 anos, no Paraná, quando cerca de dois terços de seu território ainda não estavam economicamente ocupados, já o clamor dos "sem-terra" se fazia ouvir junto das mais altas autoridades do País?
Pois, em verdade vos digo que isso aconteceu, tendo o clamor em forma de requerimento coletivo partido de um punhado de caboclos tangidos para o interior dos sertões o Norte do Paraná pela frente de ocupação agrícola que a hoje célebre empresa inglesa de colonização e estrada de ferro promovia na década dos anos 30 na região de Londrina. E o curioso é que o requerimento dos "sem-terra" fora feito em versos, em forma de A.B.C., recolhido em 1940 - portanto, há exatamente 53 anos — de seu verdadeiro autor, o ex-sertanejo e repentista Júlio Alves Machado, pessoalmente por este jornalista que aqui vos fala, então com vinte anos de idade, na mais sensacional reportagem que já tenha realizado em toda sua vida profissional.
Com o correr do tempo ela se agiganta na lembrança.

De fato, em 1940, seis anos após a criação do município de Londrina, contratamos naquela cidade com o IBGE o recenseamento da população compreendida entre os Rios Paranapanema, Paraná e Ivaí, onde hoje estão mais de cinqüenta municípios do chamado Nordeste, também conhecido Norte Novíssimo. A região ainda estava coberta de matas virgens, cujas trilhas precárias percorremos a cavalo durante dois meses, acompanhados de guia experimentado posto à nossa disposição pelo saudoso "capitão" Teimo Ribeiro, que administrava em nome do Governo Manoel Ribas a ex-Fazenda Brasileira (hoje Paranavaí). Pouca gente sabe que essa fazenda, antes pertencente à concessão Braviaco, tinha como um de seus concessionários o gaúcho Lindolfo Collor, entre outros, ao tempo das grandes concessões de terras devolutas feitas durante a I República e canceladas após a Revolução de 1930. Hoje, uma viagem a cavalo pelos sertões só é possível na Amazônia — e olhe lá! -vez o que o Nordeste paranaense, onde o solo compõe-se de arenito do caiuá, foi devastado e está em vias de desertificação. Não era assim quando o percorremos em 1940 em que a população cabocla recenseada, extremamente escassa e dispersa, vivia à beira dos rios em choças de palmito, como animais sujos e assustados, a se deslocarem continuamente à medida que indícios de abertura de estradas e propriedades agrícolas, denunciando a civilização, deles se aproximavam.

O autor do A.B.C., já citado, com quem recolhemos essa preciosidade, já idoso, grisalho e barbudo,
fora dos poucos que na época prosperara, possuindo um sitio nos arredores de Mandaguari.
O material recolhido, como se sabe, é ainda muito usado nos folclores do Nordeste brasileiro,
como antiga forma do cancioneiro popular, geralmente anônimo, herdado de Portugal e Espanha ao tempo da Colônia.
A propósito, diz Luiz da Câmara Cascudo, um estudioso do assunto: "Todos os famosos cantadores timbravam em escrever um A.B.C. e raro seria o fato anormal, digno de lembrança, sem as honras do A.B.C."
Pela simples leitura da peça que chamei de "A.B.C. dos sem-terra" verifica-se o que os requerentes expunham e pleiteavam, ao receberem ordens das autoridades estaduais para deixar as terras que ocupava numa região próxima à Serra do Cadeado, hoje cortada pela chamada Rodovia do Café, a 376, e pela Estrada de Ferro Central do Paraná, banhada pelos rios Bom e Bufadeira, por sinal citados no A.B.C. dejuüo Alves Machado.
Como nosso espaço é reduzido, dividimos esta crônica em duas partes, a fim de que o leitor possa apreciar na próxima edição, amanhã, o texto integral do A.B.C. aqui comentado.

Samuel Guimarães da Costa, jornalista e escritor

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Histórias do Paraná - O Itamarcrty e o quilômetro 65

Histórias do Paraná - O Itamarcrty e o quilômetro 65

O Itamarcrty e o quilômetro 65
Valério Hoerner Júnior

A construção do Palácio Itamaraty foi iniciada em 1851 na então chamada Rua Larga de São Joaquim, atual Marechal Floriano, no Rio de Janeiro.
De propriedade do primeiro barão desse nome, no batistério Francisco José da Rocha, situado quase na esquina do Campo de SantaAna, depois chamado da Aclamação e da Honra e hoje Praça da República, fora adquirido pelo recém instaurado governo republicano, em meados de dezembro de 1889, para servir de resistência ao chefe de governo.
Foi compra de porteira fechada, com tudo que havia dentro.
Somente em 1897, Prudente de Morais dali se retiraria para o Largo do Valdetaro no Bairro do Catete, Palácio Nova Friburgo, logo ficando este conhecido como Palácio do Catete e servindo para residência presidencial até 1960, quando da inauguração de Brasília porjuscelino Kubitschek.
O Dr. Rodrigo Otávio de Langaard Menezes (Campinas, SP, 1866 - Rio, 1944), jurista, escritor, diplomata, delegado brasileiro em inúmeras conferências internacionais, era em 1894, Procurador da República e foi convidado pelo presidente eleito para exercer o cargo de Secretário da Presidência.
De sorte que, no dia da posse, acompanhou Prudente de Morais ao Palácio presidencial — o Itamaraty.
Diz Rodrigo Otávio, pelas mãos de Gustavo Barroso em seu livro "História do Palácio Itamaraty", 1a e 2a edições em 1955 e 1968, que ao entrar identificaram lindas salas forradas de damasco, guarnecidas todas elas de ricos móveis de época, mas sem identidade alguma, marcas de uso ou coisas que valha. O único vestígio de vida encontrado fora, numa das salas dos fundos, um caixão aberto sobre belíssimo mosaico de madeira contendo jornais, papéis rasgados e um sem-números de garrafas de cerveja vazias... Tudo isso foi constatado pela multidão que, curiosa, assenhoriou-se do Palácio.
Inacreditável!
Conta então que, um dia, abrindo ali por simples curiosidade a gaveta do consolo de uma daquelas ricas salas, nela encontrou papelada em desordem, esquecida por certo quando da saída atabalhoada do Marechal Floriano Peixoto, antecessor do primeiro presidente civil da República.
Examinando-a, verificou tratar-se de preciosíssimos documentos, e, entre outros, justamente o inquérito militar sobre os fuzilamentos no Paraná, entre os quais o do Barão do Serro Azul, no Cadeado, quilometro 65 da ferrovia Paranaguá-Curitiba.
Sem demora, encaminhou-os ao Arquivo Nacional.
E, também sem mais delongas, sumiram todos os documentos enviados — e principalmente o inquérito -, tanto do Arquivo Nacional quanto do alcance público, pois nele, nessa cópia encontrada em 1894, recentíssima dos fatos e portanto ainda não manipulada, certamente estariam inseridas as provas sobre o mando do crime, este até hoje passível das mais exóticas e ingênuas conjecturas.

Valério Hoerner Junior é da Academia Paranaense de Letras.