segunda-feira, 25 de abril de 2016

Histórias do Paraná - Viva o Dr. Generoso!

Histórias do Paraná - Viva o Dr. Generoso!

Viva o Dr. Generoso!
Túlio Vargas

Viveu no Paraná, no início do regime republicano, sob a égide de duas Constituições no curto período de dez meses.
Foi uma fase agitada e tensa.
Sete interventores revezaram-se no poder. A primeira eleição de caráter legal deu-se em plena vigência da Constituição Estadual de 4 de julho de 1891.
Elegeu-se governador Generoso Marques do Santos, ex-líder do partido liberal, então engajado na recém fundada União Republicana Paranaense.
Mas, se prenunciavam violentas tempestades.
Os republicanos históricos, Vicente Machado e Francisco Xavier da Silva à frente, não se conformavam substituir o regime e ceder o poder aos antigos monarquistas.
Não demorou a oportunidade de revide.
Com a renúncia do presidente Deodoro da Fonseca, o vice Floriano Peixoto, ao assumir o governo, provocou uma verdadeira
"varrida nacional". Determinou a deposição de todos os governadores, com exceção de Lauro Sodré, do Pará.
Generoso Marques foi assim alcançado pela "degola" coletiva.
Instalou-se, de imediato em Curitiba uma Junta Governativa, sob a chefia do coronel Roberto Ferreira, comandante do Distrito Militar. A ordem, vinda de cima, era dissolver o Congresso Legislativo, convocar novas eleições e outorgar outra Constituição, o que realmente aconteceu (7 de abril de 1892). Nesse clima de estupor se desenvolveria a transição.
Inconformados e atônicos, os correligionários de Generoso maquinavam, a qualquer preço, a resistência.
Cresceu mais a turbulência quando Generoso foi chamado ao quar-tel-general, na praça Tiradentes, para transmitir o cargo ao coronel Roberto.
Desenhava-se um conflito fratricida.
Mas, as forças armadas apoiaram o golpe e seria inútil resistir.
Sem vislumbrar saída, Generoso deita manifesto à nação denunciando a violação constitucional e se rende.
O que mais extravasa indignação, nessa emergência, é Telêmaco Borba, ex-prefeito de Tibagi e deputado estadual, temperamento aguerrido, intimorato e viril.
Homem sem medo, acostumado aos riscos e desafios do sertão.
Insensível aos que lhe recomendavam prudência naquela hora temerária, monta a cavalo e a galope desfila perante a tropa que cercava a praça.
Repentinamente, numa atitude afrontosa à oficialidade reunida, tira o chapéu, à moda de Deodoro ou Zapata, e grita bem alto: "Viva o Dr. Generoso!"
O protesto instantâneo e imprevisto, surpreende. A oficialidade titubeia.
Registra-se, naquele momento, perante a história, um gesto de coragem cívica e pessoal, incomum.
Como conseqüência dos atos arbitrários de Floriano explodiria, mais tarde, a Revolução Federalista, com funestas implicações no processo de consolidação da República, cujo preço de vidas imoladas, pode-se agora avaliar, passado um século, foi alto demais.

Túlio Vargas é membro de Academia Paranaense de Letras,


Nenhum comentário:

Postar um comentário